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| caminhando e cantando... |
Primeiro o desabafo.
É muito bom prosear com gays. Ir ao shopping, pedir conselhos amorosos,escolher roupa, comentar sobre o corte de cabelo, que sapato usar, conversar sobre os homens, sobre a vida, sobre as tendências da moda, sobre as novelas, sobre qualquer coisa. São amiguinhas coloridas muito extraordinárias.
Paquerar na balada com gays, programa imperdível. Eles soltam pérolas, são bem humorados e sempre saem com conclusões hilárias. Se forem afetados, tanto melhor. Diversão garantida. Mas quando estão com raiva, falam alto, pisam forte e armam barracos. Nesses momentos, prefiro bater em retirada.
Ainda assim, fato é que não há como não ficar cada dia mais preocupada com o andar da carruagem.
Os gays lotam praças, praias, igrejas, elevadores, trânsitos, esquinas, bares e livrarias. Aos bandos, saem por aí, alegres, saltitantes e descontraídos, amando muito; com firmeza, carregam a bandeira símbolo da comunidade homossexual (o arco-íris);
São o centro das atenções.
Há um mercado gay cada vez mais promissor para empresários bem sucedidos que apostam nessa "fatia" imensa do mundo do consumo. Eles são exigentes. Gostam de comer bem, e serem bem tratados. Odeiam olhares de lado, e não suportam ser vítimas de preconceitos. Os que ainda estão no armário, diria que uma parte também ascendente, ainda querem discrição. Tudo está se adaptando para agradá-los.
Nas redes sociais, já trocam carinhos explícitos. Mostram suas experiências amorosas sem medo da exposição desmedida. Eles querem dominar o mundo.
E nós, mulheres marginalizadas, 100% heterossexuais, convictas da nossa sexualidade? O que fazer diante de caos de purpurina misturado com testerona? O que fazer para não sofrer com a classe excludente de homens com H maiúsculo que curtem apenas ordinárias? Não me perguntem.
Outro dia, estava eu sentada em uma mesa de bar, com cinco (disse cinco) homens bonitos, inteligentes e divertidos. Mas eram cinco (disse cinco) gays bonitos, inteligentes e divertidos. Pensei por um momento se eu podia me interessar por um deles. Claro que sim. E quis chorar. Mas apenas ri, de desespero.
Um deles, me confessou relacionar-se com meninos e meninas. O termo bissexualidade nem é mais usual entre eles. Apenas querem aproveitar e gozar a vida, sem definições, regras ou limites. Nisso eu concordo. Estão mais que certos, ora bolas!
Na mesa, as duas únicas mulheres lamentaram. Pensamos juntas: já não bastam os ordinários casados que nos perseguem sem nenhuma piedade? Por essas e outras, concluimos que não há mais homens disponíveis. Eles estão acompanhados de outros homens. E também não há como saber se o cara é homem e é solteiro apenas por não usar aliança. Aliás, determinadas alianças nos indicam que eles já possuem donos. E não tenho mais tipo masculino a almejar. Eu tenho pressa. Pressa de homem, com H do tamanho que ele tiver, desde que eu consiga roubar sua atenção ou desviar sua atenção dos outros ordinários.
Agora as desculpas.
Desculpa, leitor(a). É que o o negócio está ficando muito complicado.
O desabafo dessa manhã de domingo é como diria Gal Costa, como um dia de domingo. Mas não dá pra fazer de conta que ainda é cedo.