quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Amor nos Tempos da Web Cam

Tive um namoradinho a distância na adolescência. Trocávamos cartinhas fofas, cheias de declarações, e só nos víamos a cada três semanas. Fomos proibidos de usar o telefone, depois que as contas ficaram astronômicas. E internet, naquela época, era um luxo para poucos.
Hoje os amores virtuais se multiplicam na mesma proporção veloz que as tecnologias avançam. Com tantos recursos disponíveis fica fácil amar de longe. 
Só não dá pra substituir o toque, o cheiro, o gosto...
Agora me encontro nessa situação. Há dias em que quase perco o juízo, tomo banho com a cam ligada, deito e me delicio com meu amado, do outro lado da tela.
É como se ele estivesse ali, me despindo, falando coisas picantes pra que eu enlouqueça por ele, solte meus instintos e atenda a seus pedidos, cada vez mais ousados. E eu vou cedendo aos caprichos dele, vou me entregando aos poucos, me mostrando, tentando diminuir a distância que nos separa, embora o calor que queima meu corpo não aplaque o desejo de ter o dele, de tocá-lo, senti-lo, cheirá-lo...
Bendita seja a tecnologia, que permite minimizar a saudade. Ou maldita, por aumentar minha sede de tê-lo?
No final, acabo dormindo sozinha, sentindo o vazio que essa distância cruel nos impõe.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Homem com H

Nos últimos dias ando sentindo falta de um pouco de virilidade à minha volta... Parece que, pra qualquer canto que eu olho, tem um homem sorrindo. E isso me espanta, me afugenta!
Permitam-me explicar:
Cansei dessa história de metrossexual. Acho que os homens estão perdendo a medida e caindo no exagero. Concordo que é preciso se cuidar, estar sempre limpinho e perfumado, mas uma barbazinha por fazer, de vez em quando, vai bem, não? Até gosto de homens cheirosinhos, mas nada como o cheiro natural do corpo masculino para aguçar nossos sentidos.
Essa história de depilar o peito e fazer a sobrancelha comigo não cola! Homens cheios de frescura, vaidosos demais (ou sem nenhuma vaidade, como os que estão acima do peso) e que estão sempre rindo de alguma coisa... longe de mim! 
 Homem tem que ter cara de macho, emanar virilidade.
Não estou me dando com o Alexandre Borges, todo boiolinha, na novela das 7. Ok, ok, é o personagem. Mas outro dia o vi sorrindo, estampando um out door na rua e virei a cara. Deu vontade de bradar bem ao estilo nordestino: "Toma jeito de homem, fecha esses dentes!".
Nada contra o sorriso deles, por favor, alguém me entenda, quero ver sorrisos como o do Clive Owen, ou do George Clooney. Ali residem o mistério, o magnetismo e a sedução, traduzidos numa só palavra: Virilidade. E isso mulheres EXTRAordinárias sabem identificar muito bem. É o chamado sorriso de macho. Nada de dentes escancarados a la Reynaldo Gianechinni (que é lindo, mas convenhamos, se abre demais).
Os meiguinhos que me perdoem, mas se eu precisasse de uma coisa fofa, teria um cãozinho ou um ursinho de pelúcia! Prefiro os fortes, másculos, viris e de poucas palavras (atitude é tudo!).

Viva a macheza!

domingo, 25 de julho de 2010

Arquétipo de Macho


"Eu morro de medo é da mediocridade, do meio, do burocrático."
É isso! É essa a simplicidade que quero na vida! Tem outro espécime desse no mundo? Se estiver disponível, melhor.
http://revistatpm.uol.com.br/revista/97/paginas-vermelhas/sou-so-um-cara.html#5

No meio do caminho, tinha um cavalo!

Sei que isso não é uma forma sutil de começar a narração sobre uma saída "mico", em uma noite de sábado. Mas convenhamos, sabemos que pedras são obstáculos muito comuns na vida noturna, sobretudo quando a relação homens disponíveis versus mulheres disponíveis está cada vez mais negativa, pendendo para o insuportável.

Fato. A ala masculina interessante e disponível está em fase de extinção, como alguns animais que o globo repórter anuncia, a cada quinze dias. Claro que os grandes repórteres televisivos intercalam momentos extraordinários entre uma reflexão séria sobre os ursos ou leopardos e outra mais ainda instigante sobre o que ocorre por dentro de nós quando nos apaixonamos...

E por falar em paixão, e voltando a falar no que comecei a narrar, hoje fui arrastada por mais duas, para um aniversário de alguém que eu não conhecia. As justificativas foram todas convincentes do tipo: “vamos, você vai conhecer pessoas novas”, “em casa não vai acontecer nada”, “o jantar vai ser fantástico” e por fim dispararam “muda a sua rotina, que você dará chance ao acaso”.

Ouvi tudo, concordei com a cabeça, saí da net a contragosto e me produzi para o grande evento. Escolhi um pretinho básico, pus uma meia da moda (fio 80) e minha nova e linda aquisição: um scarpin cor de uva. Maquiagem, cabelo escovado, emocionada com a possibilidade de me surpreender. Eu vou tentar descrever em poucas linhas, antes de chegar ao cavalo parado no meio do meu caminho, ok?

Festa de uma mulherzinha de 28 aninhos (ai, inveja... flor da idade). 10 mesas alocadas no final de um grande salão dentro de um clube (desses de bancários), visualizou? Pois bem. No palco um homem em pé e um teclado, com o mesmo ritmo tocando coisas como “esse alguém sou eu, ai, ai, sou eu...”. Um horror aos meus ouvidos tão acostumados com Lenine, por exemplo.

Das dez, cinco mesas ocupadas: os pais da “jovem”, tios e primos, na outra dois casais se requebrando nas cadeiras (não entendi porque não estavam dançando já que eram pares), na outra mais três casais e um coitado feio, com alguns dentes a menos, também se requebrando na cadeira (esse ficou assim, nas duas horas que suportei a festa de arromba). Na última mesa, claro, a moçada reunida, os animadinhos, os mais felizes.

Olhei em volta procurando por garçons e me apareceu uma mulher de preto, garçonete séria e rápida. Parecia a mulher gato, tão ágil com copos e bandejas. Ela nos serviu nas primeiras rodadas e por fim se cansou e começou a despejar a garrafa inteira de cerveja na mesa. Será que se cansou? Ou era o combinado para deixar os convidados mais a vontade com o manuseio? Enquanto pensava isso, a aniversariante com idade de fazer inveja se aproximou sorridente e eu fui taxativa:

- Cadê os rapazes solteiros da festa?
- Não sei se existem e se virão.

Eu sorri incrédula com a falta de perspectiva de uma mulher com apenas 28 anos. Meu Deus, nessa idade, me lembro que as coisas estavam melhores. Ou o meu grau de exigência era menor? Não sei. Ela começou a contar do paquera que tinha conhecido na semana anterior. Perguntei se estavam se falando, se ele ligou para parabenizá-la e ela disparou novamente:

- Não ligou nem acho que vai ligar. Eles não ligam. Já sei que é assim.
Fiquei com peninha dela, tão novinha...

O jantar foi servido. Claro que comi e não gostei. A intenção era outra. O tecladista estava surtando nos arrochas, e o meio feio meio banguela, junto com ele. Eu vi que outra mesa tinha sido preenchida. Eram homens vestindo roupas de algum esporte. Talvez futebol, desse mesmo clube. Ou seja: ali estavam, ali chegaram à festa, ali iam ficar, daquele jeito: com tênis, jaquetas de tecido sintético, com números gigantes demarcando quem era quem no time. Todos muito desarrumados e claro, com alianças enormes. Neste momento, um me chamou a atenção. Estava escrito no seu casaco: ARNALDÃO. Uau. Era grande, simpático, com cabelhos grisalhos. E a aliança confirmou que ele também já tinha sido fisgado por uma mulher mais esperta que eu. Bingo (pra ela).

A festa estava “bombando” desse jeito. Implorei com o olhar pra irmos embora. Todas levantaram imediatamente. E no caminho pra casa, com meu scarpin cor de uva, um cavalo estava literalmente parado, no meio da pista. Eu apenas sorri e disse: agora tenho que escrever sobre isso. Nada de homens. Nada de paqueras. Um cavalo surgiu, anunciando que a ala masculina (e disponível) está “quase extinta”. As bestas estão por toda parte, dominando tudo.

sábado, 24 de julho de 2010

Fim, The End, Fin, Tchau, Fui, Adeus, Acabou, Cansei, Vá Se Lascar!


Entenderam tudo, não é? Acabou toda a fantasia e estou tiririca, fula da vida, com vontade de matar os homens, mal humorada, querendo cortar os pulsos com os dentes, desiludida, chorosa, raivosa, irritada, tensa, soltando fogo pelos olhos e triste, só, carente, pronta pra ficar o dia todo sentada, assistindo filmes idiotas, me achando uma idiota, tentando reagir, ouvindo música de Otto e quebrar copos, quebrar esse computador, quebrar o celular, quebrar a cara, quebrar as gorduras extras de minha barriga, quebrar a perna de tanto correr pra esquecer, esquecer, deletar, formatar o disco, apagar as memórias, os desejos, as projeções, as perguntas de porque não eu, porque não eu, porque não eu...
Arnaldo, socorro! Me ajuda aí com sua poesia, suas palavras colocadas nos lugares certos, horas certas, onde me inspiro sempre em momentos oportunos à reflexão. Me ajuda a entender o que tenho que aprender nessa vida besta!


Nunca mais vou gostar de você, nunca mais
Nunca mais, entre nós não dá mais, nada mais
Mas, se alguém perguntasse eu diria
Que ia, queria
Muito mais, muito mais, muito mais, muito mais
Muito mais do que um sonho seria capaz
Muito mais do que já nos sacia e apraz
Mas depois de tamanha alegria
Eu sei que eu sofreria
Muito mais, muito mais, muito mais, muito mais
Nunca mais vou pensar em você, nunca mais
Tanto faz um a mais entre tantos finais
Eu não vou semear fantasias e melancolia
Nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais
Meu amor
Vou tentar deixar de lamentar saudade
De você pra sempre
Vou deixar de ter tristeza por não ter você

(Arnaldo Antunes, Nunca mais)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sessão deles

Pára o mundo que eu quero descer. Sexta-feira. Dia chuvoso, frio, pedindo boa cia, um bom sambista na vitrola e muito samba nos pés, pra aquecer esse corpinho cansado da semana "trash".
Depois, depois...já que a imaginação rola solta, melhor deixar esse cara extraordinário falar, me encantar, lá pelas tantas...e ela lá, pertinho dele. Que inveja dessa ordinária! Aproveita, minha filha, por mim também!
Entrevista com Diogo Nogueira e Roberta Sá, logo lá, na Lapa, sedução pura...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Nosso dia

Pois então. Decidimos lá atrás, que éramos (ou nos tornaríamos?) seres extraordinários. Com chuva ou com sol, de dia ou de noite, no inverno ou no verão, na primavera e no outono também.
De forma colaborativa, virtualizada, criamos aqui a junção de mulheres pensantes, trabalhadeiras, guerreiras, amigas, blogueiras, criativas, inventivas, com corações gigantes, que mesmo em frangalhos, conseguem dar a volta por cima (ou por baixo) e transformar as emoções em escritos. Os neofreudianos diriam que sublimamos, extraordinariamente bem. Que bom, então!
E já que hoje é o dia do amigo, queria dedicar este post e o dia a vocês duas, que me suportam, me toleram, me dão liberdade para eu escrever e enlouquecer vocês e os leitores com minhas sandices sobre amor e sexo, ou sobre sexo e amor, que seja.
Tomara que a nossa união, em torno de ideias, sonhos, projetos, palavras, textos, músicas, poesias, papéis de paredes e imagens de arnaldos, carlinhos e zés, seja sempre para que nos tornemos melhores como mulheres, melhores como seres humanos e melhores como amadas amantes, para cada homem extraordinário que cada uma de nós encontrar nas vias duplas e sinuosas que já estamos rodando, rodando e rodando....
Amigas extraordinárias, vamos lá, temos muito o que tricotar, desabafar ou mesmo socializar por aqui. Nada de vingança na escrita. Chega disso. Só desejo que tenhamos muito prazer em nossas vidas.
Que o amor se espalhe pelos quatros cantos, pelas terras e ares, para todas nós!