terça-feira, 30 de março de 2010

Na idade certa

Houve um tempo em que a mulher interessante era a de 30 anos. Naquele instante especial, logo antes – para aquela época – de começar a derrocada, de ela se transformar em uma matrona chata. A mulher de 40 anos emergiu há poucas décadas por todo o mundo ocidental. Criados os filhos, consolidado – ou acabado – o casamento, permitiam-se vôos mais altos, ou revoadas fora do ninho doméstico. Surgiram assim artistas plásticas, escritoras, amantes. Ou apenas mulheres que se descobriam capazes de pensar, trabalhar, viajar. Questionar-se, questionar vida e valores.
Algumas num tom lamurioso, outras num tom ressentido, outras, ainda alegres ao abrir janelas de possibilidades. Muitas, ainda, não mudando grande coisa, a mesma casa, o mesmo companheiro, os mesmos filhos, as mesmas amigas. Mas, dentro de si, um novo olhar sobre tudo isso e o mundo lá fora. Às vezes até um olhar mais amoroso. Amor com mais alegria: o que existe melhor que isso?
A mulher de 40 anos apenas começa a viver. Apenas começa a acumular alguma bagagem de vida; é mais capaz de autoconhecimento, de contemplação das coisas e, simultaneamente, de mais abertura para fora. Olhar o outro sem a toda hora testar: estou linda, estou desejável, estou dentro dos padrões, sou gostosa, pareço inteligente? Abrir as asas exige, para ser bom, certa serenidade, um vago equilíbrio, ou cedo as asas vão se derreter ao sol, e a gente despenca, quebrando a cara como não imaginava. Exige certa esperteza boa. A mulher de 40 anos, a que se preza, é uma bruxa divertida, que voa na sua vassoura turbinada, feliz com a visão que tem quando, lá no alto, gira sobre os telhados e sobre as cabeças.

Lya Luft- Mulher de quarenta- Veja, 7 de novembro de 2007.
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Nem a acho tão extraordinária assim. Mas faz bem ler essas coisas... Mas será que vou passar a ser rata (ops, loba) do Bambara? Minhas amigas aqui, não aprovarão jamais!!!

domingo, 28 de março de 2010

Não, obrigada.

Na fase reflexiva que estou, talvez seja interessante desabafar aqui sobre meus sombrios ou lúcidos pensamentos. Sombrios porque combinam com as folhas do outono. Lúcidos porque nunca estive tão certa do que definitivamente não quero repetir: padrões de comportamento, iniciar e manter histórias com homens sem noção alguma de quem sou, verdadeiramente. Ok. Também não sei quem eu sou verdadeiramente. Ainda descobrirei, ou não. Por que é mesmo que a gente tem que se definir? Ah, sim, porque o orkut e todas as demais redes sociais, impõem que devemos nos apresentar de preferência, com o que há de melhor ou mais inteligente em nós. Desta forma, atrairemos espécimes no mínimo semelhantes, ou quem sabe a (tal) da alma gêmea! Mas ora, se eu não sei quem eu sou, como eu saberei identificar alguém igual a mim? Então, de fato, é uma mentira essa história de alma idêntica! Isso não existe!!! Nem gêmeos univitelinos são iguais, imagine eu, com toda a minha complexidade, encontrar alguém tão afim assim? Será que tem ordinárias mais sortudas que eu, então? Certamente que sim. Nem no jogo tive sorte hoje. Eita inferninho de TPM. Deveria ser proibido mulheres à beira de um ataque de nervos, e carentes demais, escreverem neste período. Mas, que chato, eu teria que escrever bem menos do que escrevo hoje, pois me faltaria essa liberdade, em tempos de crises. Voltando a falar sobre o tipo de roubada que não quero mais me meter. Posso listar aqui? Então lá vai. Estou fora de todo e qualquer homem:
  • casado
  • amaseado
  • noivo
  • comprometido
  • gay
  • bissexual
  • idiota
  • que não sabe escrever (ortograficamente)
  • que mente
  • que ronca (vá incomodar outra!)
  • invasivo
  • espaçoso
  • sem iniciativa
  • indeciso
  • falastrão
  • que não me retorna uma ligação
  • que não me liga
  • que não me devore
  • que só queira me devorar
  • falso
  • egoísta
  • sujinho
  • sem dente (faltando um pedaço, como diria Djavan)
  • com celular pré-pago
  • mal educado
  • grosseiro (outra categoria pior)
  • que não curte uma bela matinal
  • que não me queira.
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Muito mais, mas por hoje BASTA. Já ri demais e relaxei. Gozei, na verdade!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sessão deles



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Frejat, amor, meu grande amor, me chega assim, bem de repente....

quarta-feira, 24 de março de 2010

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros
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Ela também é uma mulher EXTRAordinária!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Síndrome de sexta-feira à noite

Uma sensação estranha me acomete às sextas-feiras. Um comichão, uma impaciência, uma ansiedade, que vêm do nada.
Uma vontade de fazer algo diferente, de dançar, de ver gente, de ser vista.

Um desejo forte de beber, jogar conversa fora, abraçar os amigos, beijar desconhecidos.
 
Uma verdadeira necessidade de encontrar almas afins. Ou corpos, já que encontro de almas é algo raro no mundo fugaz e distante em que vivemos.
 
Sou viciada em sexta-feira. Fico a mil, com um risinho incontido nos lábios, esperando a noite chegar.
Penso na roupa, no sapato, na maquiagem. Me sinto fútil e superficial, mas não me importo, cansei de ser profunda!
 
Só Pitty me entende: "Eu quero sempre mais, eu quero sempre mais, eu quero sempre mais, de mim!"

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sessão deles

Amor — pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro de vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a ideia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o clímax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, quais estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'.
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Ele sabia tudo de tudo. De amor, de sexo, de alma.

terça-feira, 16 de março de 2010

Carlinhos, o Sr. Perfeitinho

"Quando a gente posta no blog é porque já passou". Foi a conclusão a que cheguei conversando com Uma Delas.
Se o cara não vale mais a pena, não adianta romantizar, poetizar ou beatificar. Publica no blog e bota a fila pra andar.

Vou falar sobre um homem inteligente, politizado, bonito (não lindo, como eu gosto), gentil, bem humorado, de boa família, bom caráter e que nunca foi meu. Costumo chamá-lo de Sr. Perfeitinho, por isso, aqui neste espaço EXTRAordinário, seu codinome será Carlinhos.

Quando o conheci, estava casada com Arnaldo. Fazíamos parte de um grupo político (sim, eu já me meti com política, tamanho era o vazio que sentia ao lado daquele escroto). A presença dele mexia comigo, mas como era casada e o grupo era sério, preferi não misturar as coisas e fiquei na minha. Mas percebia que ele me notava.

Um dia, ou melhor, numa noite, nos despedimos ao final da reunião, e o abraço dele foi muito mais do que o abraço de dois "camaradas". Coisa boa.
Mas não passou disso, com o tempo o grupo se desfez (perdemos a eleição) e nos afastamos, afinal eu continuava casada. Só após minha separação reencontrei-o, e dessa vez, era ele quem estava casado.

Destino infeliz esse que só me faz esbarrar em homens que já têm dona!
Apesar de tudo continuamos teclando, falando ao celular, e quando o tempo permite, nos encontramos. 
Mas como diria Uma Delas: "Ele não me comeu!", sequer me beijou.

E sigo assim, triste e desolada à espera do dia em que finalmente poderemos concretizar essa paixão secreta. Ou não, afinal de contas, quando cai aqui é porque não vai dar em mais nada!

Só Renato Russo me consola: "Essa saudade que eu sinto, de tudo que eu ainda não vi..."