quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Saudades Daí


-- Moptop - Bom Par - para ouvir enquanto lê --



e eu o olhava do outro lado da bancada
e o cheiro da comida misturava fome com ansiedade
e sentava junto só pra constranger
e contava os minutos para lavar mãos juntos
e saía da sala só para fingir encontros de coincidência
e cruzamos numa entrada
e foi surpresa
e um boa noite puxa uma longa conversa
e a conversa puxa muitas risadas
e a conversa puxa
e no frio ganho um agasalho como uma promessa
e dali a espera
e valeu a pena
e os dias eram mais claros
e nas noites os sonhos eram melhores
e depois aquilo tudo
   o que eu faço com aquilo tudo?
e me sentindo uma exclamação
e eu não olhava mais a bancada
e eu não queria mais sentir o cheiro da comida
e a vida me forçava a encontrar
e eu olhava, olhava e via, via e sentia
e eu queria mudar minha mágoa de endereço
e foi tempo demais pra mim
e o tempo passa
e eu tive coragem
e falei... tudo
e tentei me controlar
e tentei mais
e atendi as ligações
e li os e-mails
e foi meu mal
e foi meu bem
e me rendi novamente
e foi melhor ainda
e gostei demais
e estou esperando pelo próximo encontro
e mesmo com tudo, mesmo com todos
   mesmo comigo
e mesmo assim, me sinto nós daí...

= para o branquinho mais gostável do sul desse país grande demais =

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Acorda, pessoa!


Depois de um período tumultuado, de muita tensão, pensei que, enfim, teria uma noite maravilhosa entre mim e meus lençóis. Quem dera.

Uma novela mexicana. Insônia das brabas. Revirei de um lado, de outro e só consegui cochilar, lá pelas tantas. Excitada, revivi as últimas horas, e na tentativa de esquecê-las, consegui desviar o foco para outra época.

Me lembrei dele, em meio às muitas lembranças quebradas. Imaginei o que estaria fazendo naquele exato momento. Certamente dormindo, roncando, dando boa noite a alguém que não sou eu e lhe beijando distraído na testa. Balancei a cabeça, querendo me livrar dessa triste imagem.

Cobri meus pés. O vento gelado me deu uma angústia. Impaciente, desliguei o ar. Fechei os olhos novamente e não consegui arrancá-lo de mim. Me senti, de novo, traída pelos pensamentos. Involuntariamente, refiz a cena mais linda: ele me olhando nos olhos e reconhecendo os meus desejos. Péssimo lembrar que isso acabou.

Ao invés de lutar contra minha memória, cedi e aproveitei o travesseiro ocioso da direita, que mais uma vez, me fez companhia, ajudando a embalar um bom sonho. Na íntegra, veja só o que eu vivenciei:

"Nós dois, num final de semana romântico! Após três horas de estrada, encontramos a praia menos visitada, cheia de coqueiros lindos, na linha verde, litoral baiano. O sol estava alto. Estendi a toalha e nos sentamos. Poucas pessoas nos faziam lembrar que não era uma ilha deserta. Mas não havia sequer vendedores ambulantes por ali. Um lugar paradisíaco. Ele estava lindo, com seu boné predileto, parecendo uma criança que se sente adulta, com manchas de protetor solar no nariz e nas costas. Corri minhas mãos pelo seu corpo, pra espalhar o produto, e me deparei com seu sorriso largo. Nada foi dito. Ficamos assim, completos, em silêncio, contemplando uma areia branquinha, uma dupla divertida [tentando acertar no frescobol], e, ao longe, o mar revolto."

E o final? Ah, volta ao título!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quando o desespero toma lugar da razão


Desculpe, o título é falso: não estou desesperada, só quero manter a esperança acesa. A pressão é porque me inscrevi num site de relacionamentos e agora entrei no correio eletrônico e tenho 49 mensagens para dar conta. Simples assim. Cada mensagem possui no mínimo 3 perfis para eu analisar do homem que pode ser minha alma gêmea. Isso corresponde a cerca de 147 caras que gostam de ouvir música popular brasileira e estão disponíveis. Será?
Bem, não me lembro quantas outras características eu coloquei nos enormes questionários que preenchi no site. Abria uma folha com 30 perguntas e depois de responder todas o gráfico de avanço pulava de 10% para 11,5%. Sério, acho que levei uma tarde de domingo preenchendo essa salada e não acho que estou desesperada.
Fiquei um pouquinho surtada com tantos e-mails; claro que minha lixeira vai encher sem que olhe um só perfil. Você deve estar se perguntando: por que gastou uma deliciosa tarde ensolarada preenchendo essa porcaria se não quer jogar até o fim? Responderei: não sei. A solidão faz com que a gente se pegue fazendo coisas que não acredita, nos relacionando com quem a gente também não acredita, mas é fato: ela pesa demais, tecnicamente falando.
Ficar sozinha não é opção, mas pode ser também. Vi num filme esses dias um diálogo superbacana, no qual duas moças falavam sobre amores. Uma descreveu a outra como individualista, egocêntrica e indisponível, razão pela qual sempre procurava histórias onde os homens também não queriam nada com a hora do Brasil. Identificação instantânea. Sou isso desde minha primeira relação com meu namoradinho de 12 anos de idade, meio Romeu e Julieta, famílias inimigas coisa e tal. Depois só piorei: noivos, casados, morando longe, em relacionamento sério, até artistas, todos declaradamente indisponíveis. Segundo a teoria do filme, a personagem e eu sofremos com nosso jeito de ser determinante de um destino solitário.
E eu confesso logo: adoro dormir sozinha em minha cama. Quer mais indisponibilidade que isso? Pobre libriana extraordinariamente contraditória; sempre pesando prós e contras, acaba indisponível, mesmo para os perfis cruzados do site de relacionamentos. A pergunta deve ser: porque me inscrevi nesse site de relacionamentos se viver só me agrada? Também não entendo. Talvez o eterno olhar de estranhamento das pessoas "normais" para mim, por eu suportar a solidão sem reclamar (muito). No fundo sei a resposta do porquê esse tal site foi a opção da vez: a culpa é da Globo, a solidão pesa quando Faustão entra na telinha.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Status: viúva

"..amor e ódio, moram juntos, dividindo esse coração?"

Quis me inspirar nos "Dois lados" de Frejat pra conseguir escrever algo palpável. Logo me irritei com a música e a interrompi, imediatamente. Não preciso de músicas, mais. Não preciso de poesias, mais. Não preciso nem de coração, mais.

De hoje em diante, preciso é desacreditar em todos os sonhos românticos que nutri por anos e anos. Me desapegar de todos os castelos de areia. Ora, mas eram apenas castelos de areia! Qualquer onda tola, poderia destruí-los. Por que será que me enganei, achando que eram uma fortaleza? De onde eu imaginei estar cercada de força, de sentimento perene, que sobrepõe tempo, distância, qualquer limitação? De onde entendi que era pra valer, pra sempre, igual do lado de lá?

Não faço ideia de nada. Tudo está destroçado em mim. Não creio mais em nenhuma história de amor. Filmes, novelas, contos, romances... tudo isso vai servir apenas como meras fantasias, imaginadas por seres tolos, que ainda não foram traídos.

A realidade é muito menos cor de rosa. Muito mais tons pastéis. Bege. Mundo bege de homens levianos, sentimentos levianos, traições, mentiras, falsidades. Mundo de oportunidades. Dos casos líquidos. Tempo de 'fast food'. Do toma lá dá cá. Hoje eu tomei um banho extraordinariamente quente. Ou banho de água extraordinariamente fria? Ai, estou extraordinariamente escaldada e fria. Seguirei incrédula, sem a [ilusória] alma gêmea.

fim do lirismo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sessão deles

Sexo é a coisa mais divertida que já fiz sem rir.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Já começou bem...


Promessa é dívida! Prometi em 2012 escrever mais no extra, mesmo q não sejam minhas as palavras. Aí está uma extra descrita - para quem a conhece vai associar logo a pessoa a situação. E quem sabe se todas não somos assim? Ela teria coragem de falar mas eu penso isso o tempo todo também... As unhas douradas são da inspirada amiga e o clique é meu, direto do Rio, charge pescada na primeira Revista O Globo do ano que enfim chegou: 2012 com muito amor e esperança de grandes posts!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Quem vê cara...

...não vê coração!"

Pior. Quem vê cara, não vê é nada, além de uma imagem, ou de um fake, muitas e muitas vezes. Não è a toa, que as redes sociais são tão criticadas pelos intelectualóides [chatinhos] de plantão.

Também não deve ser por acaso, que esse jargão do título é tão usualmente repetido. Certamente, já concordarmos que 'onde há fumaça, há fogo'. Ou já existiu fogo.

Portanto, vamos dosar nossas ansiedades, e, quem sabe, e daqui pra frente,  nos tornarmos menos julgadores das impressões à primeira vista.

Desculpas. Era pra ser um texto leve, divertido. Era pra lembrar o natal, as festas e baladas dessa estação tão aguardada por todos nós, pertencentes ao hemisfério sul. Era. E pode ainda ser. Vou tentar...
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Estive em mais uma das muitas confraternizações que me propus em participar, nesse finalzinho de segundo tempo, deste ano que [ainda] não acabou. O amigo secreto foi definido por uma grande amiga e sua proposta é que deveríamos aderir à onda dos presentinhos eróticos, dentro do valor estipulado [R$50,00].

Ou seja, adentrar num 'sexshop', e escolher algo para incrementar lençóis alheios, sendo nós, simpatizantes ou não desses acessórios sexuais. E lógico, presentear com algo bem extraordinário, que pudesse revelar nossa [suposta] ousadia e intimidade, em lidar com esses tais recursos afrodisíacos.

O problema pra mim, e pelo que vi, só pra mim, foi definir o que comprar. Nunca estive em nenhum sexshop. Nem sei aonde estão localizados. Nunca prestei atenção nas propagandas. Nunca quis ir em nenhum. Essa é uma meta [até então] não formulada.

Depois de ontem, creio que vou continuar não enriquecendo os empresários desse 'negócio'. Não é por nada não. Eu já virei o cabo da boa esperança, e na fase 'enta' em que me encontro, nunca senti falta de nada disso. Por que ia mudar agora, quando me sinto tão mais madura, sexualmente?

Devaneios e crises à parte, eu tinha que comprar algo. Daí, fui numa loja que sempre frequento, com ideias de presentes bem criativos, e encontrei um que me pareceu perfeito para a ocasião. Um pêndulo do amor. Achei lindo o trocinho. Lúdico, divertido, vermelho. Me imaginei vivenciando uma boa partida com um homem daqueles, de arrancar suspiros e roupas, só com o olhar maroto. Me imaginei rindo, feliz, por estar inovando nessas cenas sexuais.

Imaginei, então, que a minha amiga oculta iria amar o pêndulo.

Decepção geral. Pensem numa feira livre que todos gritam e anunciam o fim do mundo? Foi mais ou menos assim o caos instaurado pelo meu sugestivo brinquedinho, tão inofensivo. Deve ter sido, justamente, por ser tão inofensivo!

Sem querer, provoquei o maior alvoroço na mulherada. Eu, emudecida, fiquei observando um total de nove bocas, braços e mãos falantes, que surtaram, literalmente, com a minha proposta de presente.

Odiaram. Rejeitaram. Ficaram indignadas. Sentiram-se ultrajadas. Eu, boquiaberta com a [anti]reação, entendi que minha 'imagem coletiva' de ordinária mor estava sumindo, sumindo, sumindo...

Eu procurei apoio. Zero. Ninguém me apoiou. É que todas discursaram, me detonaram, e entenderam que eu não sabia o que significava provocar um sexo animal, diferente, inusitado.

As minhas novas imagens, assim, foram postas à mesa.

Sou careta? Faço pouco sexo? Sou muito normalzinha? Sou sem graça? Não seduzo? Sei mesmo o que é sensualidade? Não sei fazer o balacobaco? E agora, tadinha, eu preciso de um curso, de treinamentos, de tratamentos de choque? Como faço para me adequar às demandas do mercado do sexo?

Claro que nos divertimos muito. Somos amigas de longas datas e tudo acabou em abraços e gargalhadas.

Mas voltei pensativa. Quis escrever logo, pra não deixar as ideias esfriarem.

Não gosto de autoimagens. Não curto ser rotulada. Acho o maior barato a surpresa, ser especial, ter noites especiais com homens especiais. Curto muito ouvir que sou deliciosa, que sou na medida, que faço e aconteço sem exageros, sem artifícios. Adoro o 'papai e mamãe', que pelo visto, está à beira da morte.

Pra mim, extraordinário mesmo é aquele sexo com doses cavalares de romance, de cumplicidade. Com direito a vinho em taças grandonas. Uma música envolvente na vitrola, ou quando ouvimos: 'deixa eu te olhar muito', ou 'queria tirar uma foto sua assim', ou 'você é uma delícia', ou 'quero mais você'...

Sério. Não há vibrador, nem em tamanho extralarge, que nos faça sentir 'aquele' arrepio de pé do ouvido. Ou que nos conte os segredos de liquidificador, como exagerou o exagerado Cazuza.

E falo com propriedade, afinal preciso me defender das infâmias! Juro que faz pouquíssimo tempo que me deliciei e ouvi coisas assim.

No cenário, a luz era normal. Não nos penduramos em lustres. Não havia cuecas ou calcinhas comestíveis, de sabores duvidosos. Não havia filmes pornôs. O quarto era o meu. A cama tinha meu cheiro. E o homem estava ali, inteiro, comigo.

Duvido que não estive quente. Que não lhe revelei o meu calor. Que não demonstrei o meu apetite voraz. Duvido que ele tenha sentido falta de geléias [eca] ou choques [ui]. Duvido que o ar estaria mais instigante se existissem velas perfumadas ou incensos. Não me recordo de ele ter me pedido um chicote, ou que eu usasse a cinta liga. Ou algemas. Sexo é liberdade, gente!

Querem saber da maior? Ah, eu sou basiquinha, sim. Uma ordinária basiquinha mor, que tem borogodó e isso ninguém me tira! E claro, nào se vende, detalhe... :)

Provocações bobas à parte, aproveito para desejar um ano novo fantástico para todos e todas...

Ah... desejo ainda sexo, SEMPRE, com ou sem pêndulo do amor, com ou sem parafernálias. Ah... desejo também muito sexo com amor. E, SEMPRE, com camisinha. Porque também aprendi que, "quem vê cara, não vê nenhuma doença".

Nos cuidemos, pessoas extraordinárias!!
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Obs: E não faço a menor ideia de como usar o apetrecho siliconado que ganhei...