quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tudo é uma confusão

Se for pra ser, que não seja em vão

Quando eu era pequenina
Do tamanho de um botão
Carregava papai no bolso
E mamãe no coração

Cresci mais um pouquinho
E mudei logo a canção
Na cabeça estavam os garotos
Papai e mamãe saíram de circulação

Mais alta um pouquinho
Conheci um belo gatão
E ele me fazia sentir
Dor no estômago de montão

O gatão foi-se embora
E cortou meu coração
Conheci pela primeira vez
O que é ter desilusão

Passa o tempo, passa a vida
Disse sim, disse não
Cruzei o caminho de outros
Eles passaram como um furacão

Carente, passei a trazer no bolso
Camisinha e pouca atenção
Convidava qualquer um
Pra cima de meu colchão

Vida doida, passa o tempo
Vivo tudo na contramão
Parece que encontro apenas
Sapo de ribeirão

Hoje na idade da loba
Ando sempre com pé no chão
Mas ficou na minha vida
Um gosto de ilusão

Homens passam, passa a vida
Meus sonhos não passam não
Fico aqui, escrevendo bobeiras
Pra vocês terem diversão

Consolada, estou bem
Vivo na paz sem reclamação
Algum dia terei muito
Amor, carinho e atenção

Me pergunto quase sempre
- Será que não vou ter isso não?
Vai sim, ouvi algum pensar,
Por que o tempo é uma fração

Nada se cria, nada se perde
Tudo se transforma na criação
Mesmo o sapo, bem feinho
Pode se tornar um homão

E olha que de novo
Bate forte o coração
Olha pra o lado, vira pra trás
Abre aquele sorrisão

Mundo gira, nasce de novo
Mantenha a concentração
Esse sim, vale a pena
Tem barba e toca violão

Acaba não, mundão!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Com ou Sem?

Sempre achei desconfortável andar sem calcinha. Nunca consegui ultrapassar a porta de casa com aquela sensação de ventinho subindo e bunda balançando.
Enfim, conversando com uma amiga (extraordinária também, sem dúvida, mas não colaboradora do blog) ela me contou um episódio que se passou com o namorado dia desses.

Estavam os dois a caminho do cinema. Era um namoro recente. Paixão fulminante. Ele ia ao volante, ela ao lado, trajando uma comportadíssima saia reta de cor neutra.
Quando o carro adentrou numa enorme avenida, cuja velocidade permitida é 80km por hora, ela começou a provocação:
- Amor, eu não tive muito tempo de me arrumar pra sair com você...
- Que é isso... você está linda! - Disse ele, acariciando-lhe a coxa, quase toda coberta pela saia.
- É que eu procurei uma coisa especial pra vestir, mas não tinha nenhuma calcinha na gaveta, então tive que vir assim - puxou a mão dele para debaixo da saia.
Ao tocar o pubis nu, ele arregalou os olhos, espantado. Não sabia o que dizer.
- Cuidado com o trânsito...
- Você tem certeza que quer mesmo ver esse filme?

domingo, 21 de novembro de 2010

"...desses de cinema"

Hoje conversando com uma das ordinárias, mais uma vez o tema amor-casamento veio à tona. Ela me lembrou dos filmes americanos, de como o romance beira a surrealidade, e, pior, que não teremos isso em nossas vidas.
Parece que falar sobre o assunto é como se fosse pauta obrigatória, entre nós duas. E, de novo e sempre, tentei justificar que não sou aversa à uma união estável, mas que também não ando por aí com bandeiras imensas, tentando convencer amigos ou inimigos que casar vale a pena. Nunca me casei, por isso, não sou contra nem a favor.
Claro que (ainda) quero experimentar essa sensação de vida de casadinhos, aprender a conviver e dividir pia + banheiro + afazeres domésticos. E o melhor, gostaria de sempre ter, na minha cama, o lado direito (ou esquerdo?) ocupado, com aquele cheiro bom de macho alfa, bem alfa, pertinho de mim. Isso até me arrepia, juro! Daí a dizer que vivo por isso, que tenho isso como meta é, no mínimo, mentira, pra não dizer, uma bobagem mais que extraordinária.
Vou narrar minha trajetória amorosa, até aqui. Uma sucessão de fins inacabados e tortuosos.
Fiquei noiva do meu primeiro amor. A aliança me incomodava tanto, que a escondia, cobrindo a mão, nos bolsos de casacos ou calças. Não podia ser diferente. Não me casei. Quando desisti, liguei pra Arnaldo e perguntei: "você está ouvindo?É isso mesmo, acabei de retirar a aliança do dedo e agora ela está rodando em cima da mesa". Ele ficou mudo, do outro lado, sem acreditar no tilintar do anel, solto, sem dona. Paciência. Superou a perda, já se casou, teve uma filha, já se separou, já me procurou de novo, não deu certo de novo, e agora está com uma namorada fixa e tranquila, bem diferente do meu perfil. Pra ele, canto Vanessa da Matta: "Acabou, boa sorte".
Depois disso, me apaixonei de novo, quis me casar com o Zé, de véu e grinalda, como manda o figurino. Não deu certo. Ele preferiu curtir sua recém- solteirice, após um primeiro casamento fracassado. Pra ele, canto Vanessa da Matta: "Acabou, boa sorte."
Me apaixonei, novamente. Desta vez por um man, muito especial. Ele queria se casar. Mas eu achava que ainda era cedo. Não deu certo. Ele está casadíssimo e parece que feliz. Ainda me procura, como se dono meu ele fosse. Pobre man. Pobre de mim. Pra ele, canto Vanessa da Matta: "vermelhos são (eram) seus beijos...".
E amei outra vez. Desejei muito ser a mulher da vida de Carlinhos. Mas até hoje, ele não sabe se vai ou se fica. Nunca me disse adeus. Nunca me pediu pra ficar. Vez ou outra surge do nada e se declara, com versos dela, de Vanessa da Matta: "se você quiser, eu vou te dar um amor..".

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bem Vindos!



Aderindo à brincadeirinha do blog do Edu (onde começou mesmo essa... corrente? rsrsrs)

Partidas e Chegadas. O que te faz feliz?

- A chegada de alguém especial,
- do salário no fim do mês,
- da primavera,
- do Natal,
- do verão,
- das férias,
- do Carnaval,
- do São João
- do fim de semana
- dos e-mails dele
- dos comentários pra moderar no blog
- de novas postagens nos blogs dos amigos.

Em off:
- O retorno de um amor que se foi (se valer a pena, se a alma não for pequena...)

As partidas não me fazem bem, detesto despedidas e a sensação de que não verei novamente aqueles olhos... (a não ser que algum ordinário vá para o raio que o parta!)

Os cinco blogs indicados:

- Impressões, Memórias e Desventuras, da comentarista Paty Michele
- Meu nome é, da sumidinha Ariana Magalhães (sei que seu blog é só de nomes, mas dê um jeitinho, garota!)
- Caralhaquatro, do caralha Marcelo e sua trupe
- Pensar, Fazer e Acontecer, do Bob, ops! Luiz.
- Muito de mim, Muito de nós, de Kátia Tourinho.

Mãos à obra, com criatividade!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sabor de desejo

Nego bom é nome de um doce de banana queimada, muito delicioso. Creio que só exista à venda aqui na Bahia. Não investiguei. Negritude Júnior, uma banda de pagode que definitivamente eu não curto. Um negão de tirar o chapéu. Isso me lembra uma música de Alcione. Marrom bom bom, não é dela também? Deve ser. Da cor do pecado. Uma das muitas novelas globais, bastante preconceituosa. A protagonista era negra. Quer dizer que todos os brancos são anjos? Que sexo tem a ver com pecado? Quanta asneira.
Não imagino de onde vem o meu fascínio, muito menos porque me sinto atraída por negros. Nem creio que isso seja relevante. Gostei, provei, aprovei, e geralmente faço repetidamente coisas que aprovo. Talvez a mídia, as músicas, as novelas, a história afrobrasileira, a Mama África de Chico César, as lindas canções de autênticos negros como Gilberto Gil, Djavan e Jauperi. Ou tudo isso junto. Mas de fato, só provei nego bom, de tirar o chapéu, bem marrom bom bom. Mas juro que não pequei com nenhum deles. Um, em especial, me lembra o sorriso com os olhos. Um outro, a risada solta, gostosa. Um terceiro, as mãos grandes, dominadoras. Me lembrei de um certo rapaz, que me fazia implorar por mais beijos, e mais atenção. E ele dava, sem medo. Com ele, fui jogada contra a parede e de fato não nos machucamos. O último, o mais especial, o jeito que me cheirava, com aquele ar de intelectual, com seus óculos usados somente para assistir filmes. Encostava em mim, e concentrava sua inspiração no meu pescoço como se quisesse sugar minha energia, minha libido, meus sentidos. Desse sinto mais falta. E esse foi o jeito mais simples, mais resumido, pra dizer que amor não tem cor, alma não tem cor, e que preto não é ausência de cor. Pra mim, simboliza vitalidade, sensualidade, uma realidade mais que extraordinária.