quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sessão deles

Fernando Pessoa deve ter escrito essas verdades pra mim, alminha romântica e deveras desiludida.
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"O amor romântico é como um traje, que, 
como não é eterno, dura tanto quanto dura; 
e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela,
surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. 
O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. 
Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, 
decide variar de ideal constantemente,
 tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, 
com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida."

sábado, 6 de agosto de 2011

Extraodinariamente Despretensioso Amor

Tudo começou despretensiosamente. Na verdade a única pretensão que eu tinha era esquecer um romance frustrado e manter-me longe do tal desafeto. E lá estava ele, à minha disposição. Eu podia ligar a qualquer hora, solicitar-lhe para o que fosse preciso: para me fazer companhia numa ida ao hospital, pra trocar a resistência do chuveiro ou mesmo para um bate papo num bom café.
Hoje faz um ano que despretensiosamente fomos à uma pizzaria comer uma... saladaEle estava de dieta (até hoje está, detalhe),  não eu. Mas como boa amiga, acompanhei-o no prato light.
Eu só precisava alguém que me fizesse companhia e me mantivesse longe de uma paixão ordinária, mas foram tantas afinidades surgindo que cogitei a possibilidade de namorá-lo, e hoje o que temos é uma relação extraordinária!
Para aqueles que, como eu, não acredita(va)m que uma amizade pode se transformar em amor, pasmem, transformou-se. Para aqueles que, como eu, cumpriam padrões estéticos e etários rígidos, esqueçam, é tudo bobagem. Nesses 12 meses de convivência quase que diária, descobri que o mais importante numa relação, o que faz uma mulher realmente feliz, é ser amada pelo que se verdadeiramente é. Não por um projeto, por um fake, ou um modelo pré determinado.
Poder ser você mesma, feia ou bonita, magra ou fora do peso (gorda, nunca!), bem humorada ou com TPM,   com tempo ou atolada de trabalho (família, estudos, casa)... enfim, quando há a intenção de se levar o amor à sério, é a essência do ser humano que conta.
Naquela noite, na pizzaria, enxerguei outro homem à minha frente. Mas claro que antes da decisão um item importantíssimo foi avaliado e aprovado, se é que vocês me entendem (se eu não falasse isso o texto não seria postado nesse blog!)...
Foi um ano intenso, vencemos barreiras, preconceitos, medos, incertezas... vivemos dores, alegrias, saudades e hoje estamos felizes, projetando um futuro juntos, de modo que possamos comer salada ainda por muitos anos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O natal, pra sempre.

Eu ando estranha. Fico tão centrada em meus processos, que nem noto que já estou diferente de ontem. Me sinto muito estranha. Mudo a cada novo segundo. A boa notícia é que me sinto mais densa. Daí lembrei de "A insustentável leveza do ser", livro pesado que tentei e não sustentei a leitura por 'n' tentativas diferentes. Me lembro de ter enlouquecido um pouco, de tanto que eu buscava entender o que o autor, naquela trama, queria dizer com 'estar insustentável, tamanha a leveza do ser'.

Esqueçam o primeiro parágrafo. Vou (tentar) começar de novo.

Eu ando leve. Fico tão perdida em meus processos, que nem noto o quanto deixei o peso para trás. O pesado ficou distante. Estou mais leve a cada novo segundo. A má notícia é que me sinto mais densa. Por que, má? É que estando mais leve, e mais densa, ao mesmo tempo, sobram poucas possibilidades de viver aventuras. Ou sobram muitas? Nó. Fiquei confusa.

Sempre achei que a Rita Lee deveria ser uma co-autora desse bloguito. Me lembro sempre dela, quando penso no binômio 'sexo-amor'. Aquela música que tenta definir e explicar as diferenças entre um e o outro é mesmo extraordinária. Combina com o meu novo jeito 'leve-denso' de ser. Quando ela canta que 'o amor vem de nós e demora', dá uma vontade imensa de amar, de amar, de amar... não há desejo mais leve que esse. Mas quando ela diz 'sexo vem dos outros, e vai embora...", dá uma dor imensa. Uma vontade de segurar quem quer ir embora, pra amar, amar, amar...não há desejo mais denso que esse.

Daí comparo sexo com pizza, amor com ceia natalina. Um, comida necessária, às vezes quente, outras nem tanto, mas sempre prazerosa, ou nem tanto. O outro, comida feita com carinho, preparo, que aguardamos com ansiedade pelos reencontros. Comida servida com calor humano, ou nem tanto, mas sempre encantadora, romântica, que faz a gente sonhar com um ano novo melhor pela frente, um mundo melhor, dali em diante, com mais amor, amor, amor...

E o grau de densidade vai se ampliando. Transa sem vínculo é boa, sim. Dá aquela vontade, vem o ápice, o apogeu,  depois a queda da adrenalina. Os corpos se separam, se despedem, e do jeito que a água escorre pelo ralo, cada um vai viver a vida do seu jeito, sem mágoas, mas sem amor, amor, amor...

E o nível de leveza vai surgindo. Transa com cumplicidade é extraordinária, sim. Dá aquela vontade, vem o ápice, o apogeu, depois a surpresa das novas carícias, aqueles carinhos sem segundas intenções, ou cheios delas. Os corpos se unem mais, se entregam, e cada um fica ali, colado, ao lado, querendo respirar o outro, engolir o outro, com amor, amor, amor... isso é enlouquecedor de tão bom.

Qual o desejo que sinto? O que prefiro? Eventos natalinos, óbvio. Com direito a comer muitas pizzas: quentes, mornas ou frias. Saborear muito peru, em ótima companhia. Me preparar para cada novo encontro, como se fosse o mais especial. Festejar a paz. Degustar doze uvas doces. Quebrar nozes. Beber vinho em taças lindas. Fazer promessas. Ouvir músicas que embalam. Dançá-las. Olhar nos olhos. Inspirar e sorrir ao sentir aquele cheiro conhecido. Viver o silêncio que há entre duas pessoas que se entendem e se aceitam, misturado com o barulho, que também há nessas duas pessoas, que se entendem e se aceitam. Amor, amor, amor. Muito sexo, sim, mas com amor. Aquele, 'que demora...'

terça-feira, 28 de junho de 2011

Direto do cais

Viva, mas não sonha demais, Alice!
Era isso mesmo que eu gostaria de ser. Pensei, pensei, pensei. Era um marinheiro que eu deveria ser. Primeiro, ter me formado na marinha, e depois, conquistar vários portos. Em cada um, um amor. Em cada partida, um choro de alguém com saudade. Em cada chegada, um reencontro cheio de emoção, muito amor, sexo, e alegria no ar, digo, no mar.

Deve mesmo ser bom ser marinheiro. Imagina só: viver de acordo com a cultura, com os hábitos, sem amarras, sem âncoras, sem culpas. Se tiver de partir, partida autorizada. Se tiver de voltar, retorno autorizado. Ninguém cobra, ninguém persegue, ninguém acha estranho esse ir e vir.

Claro, a mulherada deve reclamar dos seus amores marinhos. Devem requisitar as suas presenças. Devem sofrer imaginando se eles de fato sustentam e validam a lenda de "paracadaportoumamor". Mas, venhamos, deve ser uma delícia ter essa liberdade consentida; poder desfrutar da liberdade de amar cada lugar, ou cada relação, como se fosse única, especial, pra toda vida.

Sei. Nada é para sempre. Há homens comprometidos que levam vida de marinheiros. Vivem as oportunidades que as baladas repetinas ou noites sombrias em filas de supermercados lhes presenteiam. E agem como marinheiros: contam suas histórias cheias de páginas arrancadas ou cortadas. Sugam as informações das alminhas carentes. E quando o dia amanhece, ou a fila termina, simplesmente desaparecem, saem à francesa, banalizando as situações extraordinárias que inventaram e se fartaram.

Não. Se eu fosse um marinheiro, talvez não enganasse ninguém. Talvez não quisesse validar a lenda de "paracadaportoumamor". Talvez alguém me ancorasse. Romântica que sou, não haveria outros mares a serem navegados ou conquistados. O meu amor teria jeito de homem normal, sem histórias, sem mistérios, sem saídas à francesa. E ficaria comigo, à beira-mar, em alto-mar, ou nas marés baixas, que somam a  maior parte dos nossos dias.

Sendo ou não marinheiro, vamos cantar! Lamentar nem adianta muito. E está decretado: mar de lágrimas para nenhum marinheiro. Quem sai à francesa ou mente, não merece uma mísera gota d'água, muito menos dos nossos olhos.


sábado, 18 de junho de 2011

Um novo amor chegou...

Um novo amor (ainda) não chegou, mas quem sabe está vindo aí, afinal é junho, mês de Santo Antônio, mil possibilidades de um novo amor chegar! Exercitando o pensamento positivo, ainda queria que fosse parecido com Zé Renato ...



Um novo amor chegou
Azulando meu peito na barra do dia
Dissolvendo o sereno da melancolia
Reabrindo o botão milagroso da flor
Um novo amor chegou
Enchugando meu pranto no vento da tarde
Carregando a lembrança, a tristeza, a saudade
Apagando em minh'alma o vestígio da dor
Um novo amor chegou
Acendendo meu corpo na boca da noite
Perfumando meu ventre na água da fonte
Clareando em meus olhos a luz e a cor
Um novo amor chegou
Me levando em silêncio pela madrugada
Eu só quero seguir seu caminho na estrada
E dormir na morada do meu novo amor
Um novo amor chegou, iluminou
Como o clarão da aurora
Beijou meu coração, adormeceu
E não vai mais embora

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Esqueça a propaganda




Não há o que falar mais...

sábado, 4 de junho de 2011

"Segredos de liquidificador"

"...você sonhava acordada.."
Sempre ouvi dizer que paixões avassaladoras não tem hora e dia certo para acontecerem. Sempre ouvi dizer que encontramos um novo amor ao acaso: numa fila de supermercado, num posto de gasolina, numa livraria, numa esquina, num carnaval, já quando a quarta de cinzas está por perto. Nunca ouvi dizer que encontramos um par ideal, daqueles de provocar suspiros e torcermos para encontrá-lo nos dias seguintes, em uma balada. Na noite, encontramos aventuras, ilusões, bebedeiras e muita, muita ressaca.
Posso parecer repetitiva e óbvia demais, mas é justamente sobre um encontro desses, nas baladas da vida, que quero narrar para vocês, leitores assíduos e sedentos por diversão, nesse cantinho miúdo e despretencioso da net.
Eu tenho uma triste mania, que parece um mantra, quando digo "hoje eu vou beber". Quem está ao meu lado, sempre solta um "ai, meu deus, lá vem turbilhão de emoções ou confusão das brabas!"; eis uma pura verdade. Sempre me meto em enrascadas quando resolvo apelar pra cervejas, drinks, espumantes e afins.
Era uma noite de sexta-feira. Tinha tido uma semana difícil, cheia de compromissos e prazos para cumprir no trabalho. Não estava com vontade de descansar. Pelo contrário. Queria exaustão, a ponto de querer ver o outro dia chegar sem queimar pestanas. E disse pra mim mesma "hoje eu vou beber". Ninguém me ouviu, desta vez. Deveria ter dito isso ao lado de algum amigo, pois quem sabe, a razão alheia me faria estancar o que estava pra me acontecer. Mas não ouvi conselho algum. Comprei fichas de cerveja e começei a beber sem pressa, com liberdade, com vontade. A festa estava boa. Gente estranha, poucos conhecidos. A música estava ótima. Um sambinha sempre cai bem. Como diz Jorge Aragão, "tudo acaba em samba...". Se bem que tudo poderia acabar em forró, em pop rock, ou até em axé....creio que, naquele dia, qualquer som me caberia bem, tamanho o meu desejo de esquecer os problemas do cotidiano e curtir  uma noitada.
Ele me viu no balcão, trocando mais um ticket por outra cerveja. Eu já o tinha visto, logo na entrada. Parecia da minha idade, o meu 'top'. Cabelos grisalhos, sorriso largo, uma camisa branca, de malha, calça jeans e tênis. O cheiro que emanava era aquele perfume que amo, 212. Esse cheiro me envenena. Fico seduzida. Não precisava de mais nada para nos aproximarmos. Simplesmente sorrimos um pro outro. No momento seguinte, já estávamos íntimos, juntinhos na pista, corpos grudados, rindo de bobagens ditas sobre bobagens que sempre dizemos nessas horas. Ele me cheirou e reconheceu meu perfume. Disse ser o seu predileto. Ri da 'nossa' cumplicidade. Mais um encontro extraordinário. Pensei comigo: estava eu ao lado do meu príncipe, o príncipe daquela noite. Sabia que no the day after, nem nos veríamos mais. Eu de um estado, ele de passagem. Isso não me incomodou. Estava afim de diversão, não de casamento. Dançamos muitas músicas, trocamos carinhos, mais bobagens ditas ao pé da orelha. Me lembro sempre da música de Cazuza, nesses momentos. Saímos de lá, embriagados de desejos. Não me lembro do que ocorreu depois da nossa saída. Mas é fácil advinhar. Só lembro que não fechei as pestanas e cheguei em casa, inteira e com ressaca, quase ao meio-dia. E ele? Ah, o sapo ficou lá, dormindo, verde, gelado e roncando em seu brejo.